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É possível! – Carta de final de ano da presidente

É possível! – Carta de final de ano da presidente

Semana passada, estive nos municípios de Cruz e Sobral, no Ceará, visitando escolas públicas e conversando com diretores, professores e com a secretária de Educação. Vi pessoas que se indignaram ao perceber alunos de 8 anos que não sabiam ler e que foram atrás de soluções, não de justificativas. Profissionais que falavam com muito orgulho do seu trabalho e dos seus IDEBs acima de 9. Crianças de 5 e 6 anos lendo e felizes na escola. Equipes escolares falando de metas de aprendizagem e ligando para alunos que faltavam. Vi a transição de um partido político no município, e a nova gestão optou por dar continuidade ao projeto que estava dando resultado, independentemente de quem é o “pai do projeto”.

Não deveria me impressionar com isso, pois era simplesmente o básico bem feito. Jair Ribeiro, da Parceiros da Educação, que atua há 20 anos buscando melhorar a educação pública de São Paulo, mencionou: “Estamos no melhor momento. Já temos um bom consenso do que fazer. É a hora da virada”. Ana Penido, do Centro Lemann, comentou que aquele trabalho que víamos poderia ser feito em qualquer escola; não havia recurso “extra” ali. Em um Brasil onde alguns já desistiram de procurar uma solução para a educação pública, eu vi que é possível. Foi um grande vento de esperança. E que vento! Pelas boas coincidências da vida, fazíamos as conversas pós-visitas no Preá, interior do Ceará, o lugar onde mais senti o vento na vida.

Em 2015, crianças de 12 anos foram os primeiros alunos do PONTE. Este ano, alguns se tornaram médicos, engenheiros de software, engenheiros de computação, farmacêuticos, administradores, entre outros. Em média, eles já têm uma renda seis vezes maior do que a renda familiar per capita de quando entraram no Instituto. É possível. Há um grande vento de esperança.

Quando as pessoas se indignam, resolvem trabalhar coletivamente e buscar soluções para um problema, é possível. Esta é a minha jornada no PONTE. Juntos, estamos transformando a vida de 466 alunos de 19 estados, seja da cidade grande ou do interior. Alguns já mandam dinheiro para suas famílias, outros já doam para que o Instituto Ponte continue aumentando o número de alunos; outros participam de hackathons com prêmios de até R$ 1 milhão. E quase todos, eu percebo, aumentaram muito a capacidade de acreditar em si. Viram que é possível eles mesmos mudarem a própria realidade, a partir de uma oportunidade.

2025 foi o melhor ano do Instituto Ponte. Quando comparado a 2024: crescemos 30% no número de alunos, e a equipe conseguiu desenvolvê-los sem perda de qualidade; ampliamos em 80% o percentual de novas bolsas de inglês; conquistamos 43 novos apoiadores com recursos financeiros; a governança está mais fortalecida com a entrada de novos membros; melhoramos muito o sistema de avaliação e feedback da equipe; o Instituto Ponte está mais reconhecido: conquistamos 5 reconhecimentos (2º lugar geral no Prêmio de Responsabilidade Social da FGV; eleitos pela 7ª vez uma das 100 Melhores ONGs do Brasil pela Certificadora Social e Ambev VOA; integramos a 10ª Galeria de Notáveis da Money Report na categoria Responsabilidade Social; reconhecida como Capixaba de Valor na categoria Educação pela Rede Gazeta; e eleita Líder Empresarial do Terceiro Setor pela Rede Vitória) e, o mais importante, a 1ª turma se formou com sua ascensão social. Estamos preparados para um 2026 com muito vento a favor.

Agradeço, de coração, a cada um que apoiou o Instituto Ponte, e sinta que cada conquista do aluno e reconhecimento recebido também é seu!

Que o seu ano de 2026 seja cheio de indignação pelas coisas que podem ser mudadas e que venha muito vento a favor para aquilo que for importante para você e para a sua família.

Feliz Natal e um excelente 2026.


Bartira Almeida

Presidente do Instituto Ponte

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